30
JAN
2018

Servidores públicos federais custam sete vezes mais do que beneficiários do INSS, mostra Fazenda

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O rombo de R$ 268 bi na Previdência divulgado nesta semana pelo ministério da Fazenda deixou claro, também, de que forma esse resultado negativo é formado. Entre os números que podem ser observados, estão os que mostram a diferença entre os benefícios pagos pelo INSS para trabalhadores da iniciativa privada e os benefícios pagos pela União para funcionários públicos federais.

Segundo dados da Secretaria de Previdência do ministério da Fazenda, ao todo, a União paga por ano, em média, cerca de R$ 126 mil para cada funcionário público. Até dezembro de 2017, quase 980 mil funcionários públicos recebiam o benefício em todo o país.

Em contrapartida, o INSS paga em média, anualmente, cerca de R$ 16 mil por beneficiado da iniciativa privada. No entanto, atende a mais de 34 milhões de pessoas.

Isso significa que diferença entre os valores pagos passa de sete vezes. Ou seja, são necessários mais de sete beneficiários do INSS para pagar um funcionário da União, incluindo militares. O coordenador de Previdência do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Rogério Nagamine, detalha o quanto essa diferença paga pode atingir.

“Você tem uma diferença de valor de benefícios gigantesca. A média de aposentadoria no poder Legislativo, por exemplo, em 2016, foi de R$28 mil. Enquanto no INSS o valor da aposentadoria ficou em torno de R$1.200.”

Um relatório produzido pelo Banco Mundial, divulgado em novembro do ano passado, constatou que o Brasil gasta mal o seu dinheiro e de forma desequilibrada, principalmente na questão do funcionalismo público. Segundo os dados do levantamento, servidores públicos federais recebiam salários em média 67% maiores do que os dos outros trabalhadores. Esse gasto representou algo em torno de 1,2% do PIB de 2016, ano utilizado para a análise.

Segundo o economista-chefe do Banco Mundial, Antonio Nucifora, tanto a gestão federal, como as estaduais e as municipais, utilizam o dinheiro público de forma ineficiente. Ele ainda destaca que isso contribui para agravar problemas sociais já existentes no país.

“Os salários altos não apenas indesejáveis do ponto de vista da eficiência do gasto público, por que você não precisa pagar tanto para atrair recursos humanos de boa qualidade, mas também contribuem para a perpetuação da desigualdade social no país. Por que os servidores públicos já têm renda comparativamente alta, em comparação com o restante da população”.

A votação da reforma da Previdência é uma das prioridades do governo de em 2018. O tema segue paralisado devido ao recesso do Congresso.

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