07
MAIO
2018

Vacinar faz bem – é importante

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Passam das oito e meia da manhã de uma quarta-feira. Eu estava com meu filho mais novo, no posto de saúde para que ele recebesse a última dose da vacina contra meningite. O atendimento estava rápido – mas também pudera, muitas crianças foram receber os diversos tipos de vacinas oferecidas ali.

Pouco depois, sentou ao meu lado uma jovem mãe que em nada me levava a crer que tivesse mais de vinte anos, e a forma como falava ao celular realmente denunciava sua juventude. “Fala sério mãe! Meu filho não precisa tomar essa injeção, ela nem deve ser tão importante assim”.

E foi essa frase que me fez lembrar de uma época perdida no tempo e espaço, há cerca de vinte anos quando eu morava em uma cidade no interior do Pará.

Uma recordação estava adormecida nas minhas memórias. Lembrei do Fabinho, um amigo muito legal que morava perto da minha casa e com o qual costumava jogar bolinha de gude na rua ou polícia e ladrão (é… os garotos curtiam disso naquela época!). O caso é que apesar do Fabinho ser legal e sempre emprestar várias revistas de super-heróis pra galera, não se salvou de receber o apelido de manquinho.

Obviamente ele também nunca pôde jogar nenhuma das diárias partidas de futebol, organizadas pela prestigiada federação dos moleques à toa do bairro. Isso o excluía bastante, já que não tinha como participar da principal brincadeira e, de quebra, tinha um apelido que fazia todos rirem.

Um dia perguntei por que ele tinha aquele problema, da perna esquerda não ter os mesmos movimentos da direita. Ele respondeu da forma mais direta possivel: “Minha mãe disse que eu tinha nascido normal, igual aos outros meninos, mas um dia fiquei doente e depois não conseguia mais mexer minha perna direito”.

Pude sentir toda amargura e tristeza naquela resposta e compreendi que, embora ele sempre tivesse levado o apelido numa boa, não era engraçado para ele. Claro que nunca foi legal chamar ele assim, mas gênio como eu era, só entendi depois dessa conversa. Nunca mais o chamei pelo apelido, só pelo nome.

Por Janary Damacena

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